Para ler ao som de Dado Villa Lobos - Luz e Mistério
Segundo os
fatos que sucederam nos últimos anos, eu aprendi que a vida vem como uma onda,
com força, quando você se dispõe a vive-la, e muitas vezes essa onda te
derruba. A vida tem dessas coisas – ela te bota de joelhos se você não tem
recursos suficientes para lidar com as situações, e então, o que te resta é
recorrer às coisas primitivas e desajustadas que você tem.
Aprendi que
você tem todo o direito do mundo de se fechar, se assim achar melhor, e quando
se fecha, tem a sorte de se livrar de muitos sofrimentos, mas em contrapartida,
tem o azar de não viver a vida. Não dá para ser em metades: ou você vive ou
não.
Aprendi que
você pode machucar muitas pessoas importantes e deixar passar ótimas
oportunidades de se envolver com pessoas incríveis por medo. Se você não cuida
do seu medo, ele te engole. Se você não cuida do seu caráter, você vira um
monstro. Se você não cuida do seu corpo, você vira um móvel no meio da
decoração do mundo. Se você não cuida da sua cabeça, você corre o risco de
achar que você está muito certo, mesmo quando está completamente desajustado.
Eu perdi muitas
pessoas importantes para mim nos últimos sete anos. Confesso que não sofri
quase nada, porque pensava que sofrer é fraquejar, mas a verdade é que fraco é
aquele que não sofre. Eu me preocupei demais em ser forte, quando a verdade é que devemos
nos preocupar em ser flexíveis. O forte muitas vezes quebra. O flexível passar
pelas adversidades e chega ao fim inteiro.
Aprendi que a
gente perde inúmeras oportunidades esperando por momentos gloriosos que nem
sabemos se vão, quando vão e como vão chegar. A gente espera o fim de semana,
as férias, a aposentadoria. A gente espera um grande amor, uma grande quantia
em dinheiro, um grande fim de tarde. A gente espera uma grande viagem, um
grande show, um grande elogio. E o problema está bem aí: a gente espera demais
e faz de menos. Quantos amores a gente deixa passar enquanto espera um grande
amor? Quanta felicidade a gente deixa passar enquanto espera? A vida não vem
bater à porta. A vida não acontece de fora, ela vem de dentro.
Meu avô foi um
cara sem estudo, de uma família dura. Formou-se como um cara ignorante,
ranzinza, que vivia em silêncio, de mal de todo mundo. Quando estava no
hospital, minha avó foi passar uma noite com ele, e no meio desta noite ele
virou para ela, do nada, e disse:
— Pra que
passar tanto tempo de mal, né?!
Essa frase
sempre me dá força para seguir. É muito triste precisar chegar ao fim da vida,
ver a cara da morte para se dar conta de quanto tempo se perdeu persistindo num
erro absurdamente idiota. Quanto tempo se perdeu esperando, brigando, fingindo,
calando, fechando, retraindo, odiando, chorando à toa... Abra a porta. Coloque
seu coração na roda, e esteja preparado para pagar os preços que a vida cobra.
Se jogue um pouco. Arrisque. Se abra. Perdoe. Busque. Ligue. Diga. Sinta.
Sorria. Goze. Se entregue um pouco.
O maduro não é
o cara que faz tudo milimétricamente certo, mas sim o cara que mesmo caindo e
quebrando a cara, vive o momento da dor e segue, sem deixar seus
pedaços para trás, sem perder seu caráter.
É isso, por
enquanto...

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