terça-feira, 7 de julho de 2015

conclusões acerca do medo da vida

Para ler ao som de Dado Villa Lobos - Luz e Mistério

Segundo os fatos que sucederam nos últimos anos, eu aprendi que a vida vem como uma onda, com força, quando você se dispõe a vive-la, e muitas vezes essa onda te derruba. A vida tem dessas coisas – ela te bota de joelhos se você não tem recursos suficientes para lidar com as situações, e então, o que te resta é recorrer às coisas primitivas e desajustadas que você tem.
Aprendi que você tem todo o direito do mundo de se fechar, se assim achar melhor, e quando se fecha, tem a sorte de se livrar de muitos sofrimentos, mas em contrapartida, tem o azar de não viver a vida. Não dá para ser em metades: ou você vive ou não.
Aprendi que você pode machucar muitas pessoas importantes e deixar passar ótimas oportunidades de se envolver com pessoas incríveis por medo. Se você não cuida do seu medo, ele te engole. Se você não cuida do seu caráter, você vira um monstro. Se você não cuida do seu corpo, você vira um móvel no meio da decoração do mundo. Se você não cuida da sua cabeça, você corre o risco de achar que você está muito certo, mesmo quando está completamente desajustado.
Eu perdi muitas pessoas importantes para mim nos últimos sete anos. Confesso que não sofri quase nada, porque pensava que sofrer é fraquejar, mas a verdade é que fraco é aquele que não sofre. Eu me preocupei demais em ser forte, quando a verdade é que devemos nos preocupar em ser flexíveis. O forte muitas vezes quebra. O flexível passar pelas adversidades e chega ao fim inteiro.
Aprendi que a gente perde inúmeras oportunidades esperando por momentos gloriosos que nem sabemos se vão, quando vão e como vão chegar. A gente espera o fim de semana, as férias, a aposentadoria. A gente espera um grande amor, uma grande quantia em dinheiro, um grande fim de tarde. A gente espera uma grande viagem, um grande show, um grande elogio. E o problema está bem aí: a gente espera demais e faz de menos. Quantos amores a gente deixa passar enquanto espera um grande amor? Quanta felicidade a gente deixa passar enquanto espera? A vida não vem bater à porta. A vida não acontece de fora, ela vem de dentro.
Meu avô foi um cara sem estudo, de uma família dura. Formou-se como um cara ignorante, ranzinza, que vivia em silêncio, de mal de todo mundo. Quando estava no hospital, minha avó foi passar uma noite com ele, e no meio desta noite ele virou para ela, do nada, e disse:
— Pra que passar tanto tempo de mal, né?!
Essa frase sempre me dá força para seguir. É muito triste precisar chegar ao fim da vida, ver a cara da morte para se dar conta de quanto tempo se perdeu persistindo num erro absurdamente idiota. Quanto tempo se perdeu esperando, brigando, fingindo, calando, fechando, retraindo, odiando, chorando à toa... Abra a porta. Coloque seu coração na roda, e esteja preparado para pagar os preços que a vida cobra. Se jogue um pouco. Arrisque. Se abra. Perdoe. Busque. Ligue. Diga. Sinta. Sorria. Goze. Se entregue um pouco.
O maduro não é o cara que faz tudo milimétricamente certo, mas sim o cara que mesmo caindo e quebrando a cara, vive o momento da dor e segue, sem deixar seus pedaços para trás, sem perder seu caráter.
É isso, por enquanto... 

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