Para ler ao som de Beautiful - James Blunt
A gente tem uma
tendência natural de achar que lá fora existe tudo o que a gente precisa pra se
completar. E o que eu mais tenho pensado ultimamente, é que das duas uma:
1 – Se você
acha que não é um ser faltante é porque você encontrou algo ou alguém que tapa
o buraco da sua falta.
A condição
humana é condição de ser. Ser filho, ser amigo, ser alguém, ser amado, ser
algo, e o movimento das coisas só acontece por causa da bendita falta. A falta
provoca o desejo e a gente se põe em movimento para saciá-lo. Desejo de uma
profissão, de cumprir uma missão, de chegar a um ideal, de encontrar alguém
legal, desejo de saciar a fome, de aliviar as tensões físicas, enfim... O fato
é que se a falta morre, o desejo morre também e consequentemente o movimento de
buscar aquilo que se quer. Sem o vazio, a vida para.
O trabalho de
toda hora do ser humano, mais do que buscar aquilo que falta, é encontrar uma
forma de lidar com a falta. As coisas que vão preencher o buraco vazio que
trazemos conosco não estão lá fora. Isto é um engodo. A condição humana por
excelência é a de ser algo faltante. Sujeito truncado que perdeu algo muito
cedo e que não mais vai encontrá-lo. Saber-se incompleto e mais do que isso,
saber que o outro possui artifícios para aliviar momentaneamente a tensão da
vida, mas que esse outro não é obrigado a fazer este papel. É neste ponto que
abandonamos a posição de dependência do outro e adentramos no campo do amor. Se
eu dependo do outro, eu não o amo, eu apenas preciso dele diante do peso da
vida refletido no que sou. O amor nasce na situação onde eu não dependo do
outro, mas ainda assim, o elejo como algo significante o suficiente para me
fazer querer estar ali. “Não preciso de você, mas quero estar aqui”.
Essas são as
duas vertentes relacionais mais básicas: a dependência e o amor. Quando se
depende, se é criança. Quando se ama, se é maduro. Maturidade essa que exige
árduo trabalho, enorme dispêndio de energia e grande resistência à frustração. Primeiro
porque o outro não tem o que eu preciso para ser completo. Segundo porque,
mesmo podendo aliviar a minha existência, o outro não é obrigado a fazê-lo. Eu preciso
me virar, eu preciso dar conta das minhas demandas, eu preciso dar um jeito em
minha própria vida. O mundo não é mundo pra me satisfazer. O outro não é outro
pra me satisfazer. Quem tem que arcar com o peso das minhas próprias
insatisfações, sou eu mesmo e ninguém mais.
Quando se
percebe todas essas coisas, de fato, depois da dor natural que essa ideia traz,
passamos a viver uma outra posição no mundo: a posição de simplesmente estar e
viver. A gente se desfaz de muitas coisas que não cabem mais e segue mais leve.
Para nos tornarmos o que queremos, precisamos abrir mão de muitas coisas. Toda
decisão implica em perder algo.
Mas se eu sou
faltante, se não posso ser completo, se o outro não é meu, se eu sou
insatisfeito, se a vida pesa, se crescer é abrir mão e perder, por que diabos
eu vou decidir mudar e querer viver esta outra posição?
A resposta é
simples: porque sem a mudança, sempre estaremos à margem de nossa própria
história. O outro sempre terá o poder da decisão e da felicidade nas mãos
enquanto nós ficaremos no papel passivo daquele que espera algo do outro. A
felicidade dependerá do outro, e não há nada mais frustrante que isso. A partir
do momento que ocupamos o papel daquele que faz e que é, o outro se torna
outro. Coadjuvante. E nós, seguimos mais tranquilos e em paz com o peso da
vida.
A felicidade só
chega, quando nós deixamos de precisar do outro para conseguir as coisas,
quando nós somos capazes de conseguir com nossas próprias mãos. Ali, estaremos
perto das pessoas pelo simples fato de querer, e não mais por depender.

Bom pensamento.
ResponderExcluirSomos seres completos, não precisamos de ninguém para nos completar. Só é possível amar quando amamos a nós mesmos antes.
É uma tarefa difícil, mas vamos exercitando a cada dia :)
Bjuxxxxx
Simm !!! Obrigado, Poly !
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