Para ler ao som de Lenny Kravitz - Calling all Angels
Eu sou um cara romântico que teve de botar seu
sentimento numa jaula, porque os jogos de amor se chocaram contra minhas
fantasias hollywoodianas. Eu passei noites pesadas escondido pelos cantos. Muitas
vezes estive em boates, bêbado, escondido entre as luzes coloridas e o som
alto. Me escondi nas páginas e páginas que escrevi nesses anos. Me escondi no
meu quarto, atrás da tela do computador. Me escondi em copos de cerveja e
whisky. Me escondi atrás da fumaça do meu cigarro, atrás das minhas feições
teatrais. Me escondi atrás da minha racionalização e da minha psicologia de
boteco.
Eu tive medo, mas fingi que eram os signos que não
batiam. Tive medo dia após dia e nunca assumi isso, sempre fingindo que era a
chuva, ou o frio, ou o cansaço. Eu tive minhas desculpas para não dar a cara a
tapa de novo para a vida, mas um vulcão dormia dentro de mim. Um vulcão de
desejo e completa força.
E agora eu estou aqui de novo, arrebentando as
grades, as paredes, os sons. Estou destruindo a própria luz. Arrebentando os
copos de bebida, as portas que me separam da vida, as muralhas que me cercam. O
cara romântico e cheio de amor está voltando. Eu tenho uma palavra doce para
quem precisar, e um olhar acolhedor também. Mas eu só consegui voltar a ser
quem eu sou depois que aprendi que não se deve jogar pérolas aos porcos. A
eles, damos apenas lavagem. Não se entrega sua intimidade para qualquer um,
isso é burrice. Agora eu posso ser quem eu sou, aprendi a dar a cada um aquilo
que for merecido.
Eu estou aqui para dizer que senti muito medo da vida, mas agora não sinto mais.

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